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PRA ENTENDER

Um dos grandes problemas da humanidade é a linguagem. Não sabemos nos comunicar e, por isso, ruídos são criados e o processo de entendimento entre as pessoas se prejudica. Ruim para quem quer dizer alguma coisa e precisa ser entendido, bom para quem não quer dizer nada e deseja manipular o povo.

O paradoxo é um elemento para atiçar essa necessidade de comunicação. É a nova linguagem mundial: o internetês. E se Freud não explica (por não ter conhecido essa tecnologia), o psicólogo Carlos Maltz descomplica. O tradicional se mistura e não se separa do novo. A plataforma de comunicação é a única diferença entre a comunicação do passado e a do futuro.

Ao longo do texto, o autor cita as reuniões de nativos americanos às margens do lago Chautauqua – onde o espaço era democrático e se discutia de tudo – aliada com a grande invenção da humanidade, a internet. Essa relação do primitivismo com o futuro permite-nos compreender, por meio do Chat (as salas virtuais de bate-papo), uma intenção que une o tradicional com a vanguarda, ou seja, o fabuloso Chat-auqua proposto por Maltz. E se o Rei Salomão dizia que não há nada novo sob o Sol, vem o autor com sua obra de estreia transgredindo a forma e o conteúdo, debatendo objetivamente os tabus, colocando em choque os contrastes sociais.

Essa dualidade do novo com o antigo denuncia que nossa cultura não pode ser engessada em produtos enlatados tais quais as religiões nos vendem uma pseudo-salvação por alguns trocados. É a ética e a estética que beijam o espírito caído de ícones do nosso museu de cera onde a cara de pau de políticos – só para citar uma classe – contamina as pessoas de bem. Isso tudo por que somos todos Homens-bule, isto é, pessoas de pô-ca-fé. E sem fé deixamos de acreditar em sonhos, metas e objetivos os quais poderiam melhorar a vida da coletividade (Unidade-1-manos).

Nesta e-stória, encontramos o liquidificador-pop que centrifugará alguns ideais arraigados em nossa avassaladora velocidade do tempo – o qual escorre nos dedos de nossas mãos. A temporalidade alia-se à tecnologia e as distâncias diminuem, entretanto o isolamento – por incrível que pareça – aumenta mais e mais. É o que coloca em debate o nosso baterista: com tanta tecnologia para aproximar as pessoas, por que é que justamente estamos ficando mais distantes um do outro?

Ao receber os originais do Maltz, me senti como Carlos Drummond de Andrade quando leu o livro Eu, de Augusto dos Anjos, registrando que era como se fosse um soco no estômago. A escrita ousada de Carlos Maltz – com os erros propositais, com os trocadilhos inteligentes e a estrutura platônica moderna – sugere ao leitor um tempo de reflexão. Eu (que fui um dos primeiros leitores desta obra) fiquei com meu cérebro cheio de engrenagens tais quais as das capas dos discos dos Engenheiros do Hawaii. A cada página virada um upload de informações agregavam valor ao meu conceito sobre as coisas. Terminando a leitura, reli o livro umas três vezes, pois queria entender mais e mais sobre essa filosofia moderna com uma linguagem estranha e também tão próxima, direta e objetiva.

Mesmo que existam os puritanos, o internetês facilita a comunicação entre as pessoas. Consequentemente, os internautas leem +. Este livro é um grande divisor de águas para se debater essa nova forma de comunicação e a evolução da linguagem. Com um intertexto moldado não por letras mas por caracteres, observamos o fim de um mundo que cada leitor pode descobrir qual é, seja pelo vovô macaco, seja pela criancinha da geração arroba (@).
 

Andrey do Amaral é professor de literatura, de gramática e agente literário de Carlos Maltz.

 

A Velha Era no divã
Ruy Fabiano

O diálogo foi introduzido na literatura por Platão. Foi uma forma engenhosa de envolver o leitor na complexa viagem do raciocínio, em forma de conversa. As conclusões e impasses brotam dos intercâmbios, da troca de visões e impressões, da multiplicidade e variedade de percepções, que, no ser humano, estão longe da uniformidade. Tornou-se um método de investigação filosófica.

Mais tarde, com São Paulo, surge a literatura epistolar, em que o diálogo se dá por cartas, com a troca de impressões reduzida ao universo de dois interlocutores solitários, mas dirigidas a um número indefinido de destinatários.

Tornou-se um método de doutrinação religiosa.

Conservou mesmo assim o processo da tensão dialética, em que visões distintas duelam, em busca da verdade, que, se estabelecida, terá o leitor como juiz absoluto, senhor das deduções.

No caso das epístolas de São Paulo, diferentemente dos diálogos de Platão, a visão é unilateral. Não se conhece – não se ouve – a voz do interlocutor, apenas supõem-se os argumentos que provocou, e a refutação e esclarecimentos que recebe.

O romance elevou o gênero epistolar ao nível da estética. E teve momentos de esplendor em Chordelos de Laclos, com o clássico “Ligações Perigosas”, em que a trama romanesca se manifesta por cartas trocadas entre os protagonistas.

Carlos Maltz, psicólogo, astrólogo e roqueiro, uniu suas habilidades heterogêneas – e incomuns numa única pessoa - para, fundindo as tradições epistolar e platônica, perpetrar um achado: a transposição do gênero para o âmbito da internet.

Reuniu num chat, que mantém em seu site (www.carlosmaltz.com.br), um microcosmo da juventude brasileira de hoje, que transita por blogs, twitter, Orkut e outros espaços de interatividade que a internet já há alguns anos oferece, inaugurando uma nova era nas comunicações interpessoais. Uma era que funde (e confunde) muitas eras, frequentemente sem o devido senso de proporções, e que expõe o espírito deste tempo confuso e apocalíptico. O resultado é fascinante.

Ao mesmo tempo em que expõe suas idéias, leituras e observações, Maltz faz a cabeça de seus interlocutores – ou pelo menos a conduz por caminhos que lhes são desconhecidos e inesperados -, sem que estes o percebam.

Não há o tom explícito do mestre falando ao discípulo, como no caso do Sócrates de Platão – que, embora de carne e osso, não deixa de ser um personagem recriado por seu discípulo.

Maltz, com a autoridade que lhe dá a longa vivência entre jovens - é um dos fundadores e primeiro baterista da banda de rock Engenheiros do Hawaii -, funde suas habilidades para colocar em cena o exame da realidade contemporânea.

Capta os desencantos de uma geração criada sob a égide do consumo e da busca liberticida do prazer, e que, cumprindo à risca esse ideário, se sente lograda por não encontrar o pote de ouro da felicidade no fim do falso arco-íris que lhe descortinaram.

O resultado é a sensação de orfandade e a rebeldia niilista, que, mais que agressão, expressam frustração e um doloroso pedido de socorro. Maltz fala no dialeto dos interlocutores, conhece-lhe os códigos, artes & manhas, o que lhe permite penetrar num círculo habitualmente impermeável aos forasteiros, dar o seu recado e, mais que isso, vê-lo de algum modo recepcionado.

Ele não é propriamente um forasteiro. Sabe com quem está falando. Abriu mão de uma carreira vitoriosa de pop-star para refugiar-se em Brasília e estudar outro tipo de astros: os do firmamento. Abdicou da fama, sabendo-a um falso brilhante, e dedicou-se a buscar, inicialmente via astrologia, o sentido da existência. Tornou-se psicólogo, estudioso da espiritualidade. E constatou que a Nova Era nada mais é (ou será) que a consumação de valores transmitidos desde priscas e imemoriais eras – e jamais praticados. O novo está no antigo. No Eterno. Resta observá-lo.

Essa visão perpassa os diálogos, que fogem à ineficácia do tom professoral/moralista. Se o adotasse, seria expelido. E é essa habilidade de pisar em ovos que lhe permite, neste originalíssimo “Abilolado Mundo Novo”, desvendar um cenário psicossocial denso, dramático e surpreendente, que vale, no fim das contas, por um tratado metafísico-sociológico.

É a melhor radiografia que conheço dos efeitos concretos do relativismo humanista há décadas em curso. O vazio espiritual, a confusão de valores, a deterioração da instituição família, o consumismo imposto pela “idade mídia” brotam dos diálogos, que transcorrem fluviais, com todas as imperfeições e interjeições estilísticas com que rolam na internet. Maltz percebeu, na fragmentação aparente, povoada de reticências, um vasto painel alegórico, que resulta num quadro expressionista.

Quem quiser conhecer o que se passa na cabeça da atual geração de jovens brasileiros de classe média urbana – microcosmo da civilização ocidental - encontrará aqui vasto manancial.

O leitor jovem compartilhará do privilégio que tiveram os cinco interlocutores de Maltz aqui reunidos, encontrando esclarecimentos para suas perplexidades – ou ao menos podendo constatar que alguns espantos e enigmas de que padece não são exclusivos da geração atual. Constituem um quadro clínico que abrange as gerações anteriores, pois a origem do mal é antiga.

O leitor maduro – pois este livro está longe de se destinar apenas aos jovens - poderá refletir sobre o legado que ajudou a construir, na imperceptível ruptura que, em algum momento da história, se operou, no curso de muitas gerações.

Quanto ao autor, ao colocar a Velha Era no divã do espaço virtual, marcou um gol de placa. Fez-se, com humildade, paciente de si mesmo.

Astrologia

Musica

Ouça e baixe as músicas de Carlos Maltz.

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Maltz assina contrato com a editora paulista VIA LETTERA para o lançamento de seu primeiro livro, que já se chamou "SEXO, DEUS & ROCK'n'ROLL" e que vira ao mundo em Setembro, com o nome de ABILOLADO MUNDO NOVO... Comeca e pedir desde já na seua livraria preferida, para que algum dos poucos exemplares da primeira edição possa ser seu...

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Sou um telespectador atípico (acho)... No mínimo, intermitente. Passo muito tempo sem assistir (não sei se esse é [...]
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