PERDEMOS
Sou um telespectador atípico (acho)… No mínimo, intermitente. Passo muito tempo sem assistir (não sei se esse é o verbo correto) a telinha, e depois, de tempos em tempos, passo uns dois dias assistindo direto. Então o meu recorte é aleatório, tendencioso, descontínuo, sem muita linearidade racional, algo parecido com o “raciocínio” do polvo Paul. Mas, se a “voz do polvo é a voz de Deus”, quem pode garantir que o meu método é pior (ou melhor) que o dos outros?
Em minha última incursão ao mundo real (o mundo da telinha), fiquei impressionado com a dança dos assuntos. Eram apenas dois e ficavam martelando por todos os lados o tempo todo: a final da copa e o “crime monstruoso” praticado (ao que tudo indica) á mando de um ( ao que tudo indica) ex-jogador de futebol.
O que eles tinham em comum? Bem, a resposta óbvia é o próprio futebol, mas não sou de contentar-me com a resposta óbvia. Sou por ofício e hobby, um mergulhador de profundidade. Me atraem as profundezas da alma humana, esse lugar tão sombrio e estranho ao mundo “clean & hype” ( seja lá o que isto signifique) da telinha.
Sobre a Copa do Mundo, não tenho muito a dizer. O que pode ainda não ter sido dito naqueles programas de especialistas que passam o dia inteiro falando sobre o assunto? O quê os convidados “vips”, todos eles muito bem informados, bem vestidos e bem falantes ainda não disseram?
Bem, não vi ninguém comentando o fato que para mim, foi o mais importante da copa toda: a volta da delegação argentina á Buenos Aires.
O que pode ter de importante nisso?
Aproximadamente dez mil pessoas saíram às ruas para prestar a sua homenagem a Maradona e seus “pibes”, que voltavam de uma derrota por quatro a zero para a Alemanha.
Vejam, os caras perderam de quatro a zero. E foram recebidos com o maior carinho e respeito pelos “hermanos”. E não vale dizer que para a Argentina ter chegado até onde chegou, já estava de bom tamanho, por que todos nós sabemos que eles eram tão favoritos ao título quanto nós.
A própria presidente da República Argentina deu uma declaração sobre o acontecido. Ela estava emocionada e disse se sentir muito honrada com a homenagem da população aos jogadores. – É nos momentos de dificuldade que devemos mostrar quem somos, ela disse…
E os nossos jogadores, o que eles mostraram no momento da dificuldade, quando a Holanda virou o jogo?
E o que nós mostramos á eles com a recepção e as homenagens que lhes prestamos?
Sim mas… O que isso tem a ver com o outro assunto, o do ex-jogador, alguém poderia perguntar… Vamos ver se encontramos a conexão…
Pra dizer a verdade, não entendo por que as pessoas ficaram tão chocadas com o crime…
De ambos os lados dessa história, o que vemos são pessoas extremamente pragmáticas, objetivas, ambiciosas (focadas, como diria uma ex-musa do BBB que saiu pelada na capa de alguma revista de mulher pelada). Pessoas que não se deixam arrastar pelos sentimentos… Pessoas que só pensam no resultado…
Não é exatamente isso que as centenas de livros voltados para quem deseja ser “vitorioso no mercado” estão ensinando?
Uma jovem que, segundo dizem as más linguas, queria “garantir o seu futuro” engravidando de um cara rico e famoso…
Desde quando isso é pecado em nossa sociedade?
Bem, talvez ela tenha sido “burra”, engravidando do cara errado…
Uma rapaz rico e famoso, que se “fez na vida”, tratando de, segundo dizem as más linguas, se “livrar de um problema” utilizando-se de métodos que nossas “elites”, inclusive alguns de nossos “representantes do povo” , desde o tempo do velho Cabral, estão cansados de utilizar…
Desde quando isso é pecado em nossa sociedade?
Aliás, o que é mesmo pecado? Alguém ainda se lembra? Em nossa sociedade?
Bem, talvez ele tenha sido burro, utilizando profissionais de segunda categoria… Ou caindo em alguma armadilha desse ardiloso, o sentimento…
Talvez esse seja o pecado, um pecado imperdoável: amadorismo…
E a conexão com o assunto dos argentinos? Essa, eu deixo pra vocês…





















12 de julho às 17:36
i num é qui é…
Pois é Maltz.
Estavamos conversando a respeito desse assunto (o do brasil) aqui em casa.
Andando num parque, ontem, eu ouvia pessoas explicando coisas – que a culpa é dela, é dele, é de todos, é de ninguém etc e tal…
ó…
faz um tempo que a gente vem tendo lições de “educação moral e cívica” com a boquinha da garrafa, eguinha pocotó, a favela (moral) onde e nasci e por aí vai.
um tanto de “idalos” que mostram seu valor pelo calibre do taurus (shimidt???).
tantas pessoas importantíssimas, ícones sociais, “belos” (nos dois sentidos) que estão sendo o modelito…
daí, reclamar do quê?
não sou muito saudosista não mas não dá pra esquecer época em que pais eram responsáveis pelos filhos (os meus foram…) quando eles “davam alguma alteração”.
atualmente, tá até difícil saber quem são os pais… como esperar alguma responsabilidade, interesse, atenção etc…
Não dá pra imputar aos Brunos (desde o cabo, lembram???…) toda a nossa conivência.
Eita que Vivan los Hermanos.
Abraço
13 de julho às 2:14
Matem o Bruno… primeiro porq ele trouxe a tona esse assunto de bater em mulher de novo, agora o Serra e a Dilma vão ter que ajustar seus planos de campanha para incluir a questão de gênero.. Segundo que sempre associa o Bruno as prostitutas.. vão querer colocar a culpa na conta delas tb… e a menina ainda era atriz pornô, ta vendo é essa sexualidade desenfreada… é a ambição… é porq era goleiro do flamengo.. é porq ela era morena… antes q tentem mais associações matem logo o bruno e voltemos a usufruir conforto da dupla futebol e mulher, no fim de semana… ahhh, só não vale dizer q a culpa são deles também.. rsr
Forte abraço Manão.
13 de julho às 3:44
Cada caloria de ódio queimada,
Cada fibra muscular tencionada,
Cada gota de suor exalada
Cada mão para o alto jogada.
Cada grito de dor proferido
Cada esforço físico gerido
Cada parte do corpo ferida
Cada justificativa.
Cada agonia,
Explicativa, expectativa,
Atrito, gemido,
Cada passo, salto,
Golpe, galope.
O ranger de dentes
O frio fremente.
Ímpia Olímpia
Toda agressividade
Que exige a atualidade
Pernas que doem até agora
E que doerão por dias a fora
Pelos louros da vitória
- dos protagonistas de glórias e derrotas.
Tochas que iluminam este Olímpo
Liras que sopram o vento ímpio
Vida que torna-se tão pobre
Quando reduzida a um simples jogo.
Gladiadores, digladiam,
Sem tempo pra viver
Competição cega, objetivo vencer
E na glória vazia desvanecer
Como um inseto que escolhe
Um lugar frio e vazio pra morrer.
Aprender a lutar e a se defender
A atirar bem e a ter prazer
Puritanismo cínico e maligno
Luxúria pérfida à qual nos permitimos.
Talvez um dia
Quando todos os recordes tiverem sido quebrados
E os tendões estiverem distendidos
Quando os corações estiverem falidos
E os narizes corroídos
Quando todas as mentes
Estiverem afogadas em fadigas
E o paladar e olfato,
Estiverem depravados,
Nós paremos de competir
E passemos a nos permitir.
13 de julho às 11:41
Mano,
Isso não é uma crônica…é uma tremenda sacanagem! Ainda mais com os argentinos…vamos combinar!!! Que bom que tu vais vir para o show na quinta! Fica com Deus,
Ana
14 de julho às 0:17
Maltz é phoda…
16 de julho às 17:53
Bom texto! Já viu alguém vestido com a camisa da seleção Brasileira depois que a mesma foi eliminada da copa??? Patriotismo de quatro em quatro anos, deixo para os demais brasileiros!!!
16 de julho às 17:53
Bom texto! Já viu alguém vestido com a camisa da seleção Brasileira após a mesma ser eliminada da copa do mundo de futebol??? Patriotismo de quatro em quatro anos, deixo para os demais brasileiros!!!
16 de julho às 21:06
Que bom que existem poessoas como vc que são capazes de pensar e sentir com profundidade. Em conversa com conhecidos e no meu blog explorei também o assunto da morte da garota ( e concordo com vc. Tb não me choquei). A imbecilidade e o superficialismo foram grotescos, além da indefectível acusação qque a culpa é da vítima. De verdade: Tô de ovário cheio desta imbecilidade e hipocrisia que corre por aí. e para usar o jrgão futebolístico tão em voga digo; sou do teu time! Também quero profundidade e intensidade. Gosto e não tenho medo. Apanho e caio. Mas para o desprazer destes que só tem casca e vento, levanto e sigo em frente. De cabeça erguida.
bjo,
Leona
19 de julho às 12:07
obs1 – Durante a copa alagoas foi praticamente destruida…e será que alguém prestou atenção?
obs2 – Nas últimas 5 copas do mundo, os campeões foram de país com potencial ecônomico em crise.
[]s
21 de julho às 14:26
Está muito pessimista Maltz. =)
Enquanto no post anterior descreve uma sociedade anestesiada e que não cresce. Nesse descreve uma sociedade pragmática, que só busca resultados…
A TV não revela mais nada sobre a sociedade Maltz. A sociedade foi para um lado e a Tv foi para outro. Não estamos mais caminhando para uma sociedade padronizada. Estamos caminhando para uma sociedade de nichos. Tribos sem território distantes no espaço mas juntos no tempo. O grande ditador da cultura está ruindo. Está falando sozinho. Você não é mais um caso particular de outsider. Somos milhões que não consumimos mais conteúdo mastigado e sem interatividade. As novas gerações cada vez mais deixarão de suportar a passividade da TV. A passividade de assistir aulas. As pessoas não querem mais assistir. Elas querem ser também ouvidas. Querem participar. Construir. Destruir. Comentar. Indicar. Reunir.
Abração.
Gabriel
22 de julho às 14:26
Mano Gabriel,
Não creio que a TV foi para o outro lado da sociedade, pelo seguinte detalhe; ela molda e indica/manipula(governo oculto) o caminho que a sociedade deve ir, o que há de diferente, é que ela se atualiza e evolui mais rapidamente que a sociedade, e usa toda sua evolução para fins próprios.
[]s
26 de julho às 15:42
O Bruno queria jogar uma pelada… jogou a “pelada” para os cachorros. Nessa pelada todos os times perderam.
28 de julho às 18:46
Fagner seu comentário no contexto envolvido é um exórdio machista, as aspas não aliviam as imagens dantescas provocadas na minha mente. Melhor evitá-las, vai por mim, todos perderam mesmo, o caminho não é por mim. Hugo gostei do seu poema, também me viciei em ser poeta. E hoje que todo mundo é poeta, é atleta, é tudo… é que nós precisamos, mostrar como você o que é um poema, e o que são frases versificadas. Parabéns. Gabriel seu texto é eloquente e exato, eu acredito nas novas gerações e como professor estou na vanguarda pedagógica da pós-modernidade chamada por intelectuais de Pedagogia de Projetos. E mais aprendo do que ensino. A a “fusão a frio” que canta HG.
Sobre seu texto Maltz vamos aprender a sermos alienados conscientes. Não sei. Não quero saber. E tb não tenho raiva de quem sabe.
29 de julho às 12:44
Leonardo, agradeço a sua proecupação comigo mas acho que a ironia é uma forma de comunicar uma idéia. O problema da ironia é que as vezes as pessoas não entendem… daí projetam seus problemas nas frases dos outros.
29 de julho às 13:44
É verdade! Jogou a pelada fora como quem joga a lata fora depois de beber um red bull!
Tudo bem… todos perdemos um pouco mesmo. Mas os argentinos perderam um pouco menos não é? hehehe Não estou falando que os argentinos são exemplo mas eles colocaram coração na ação. E nós? Nós jogamos uma pelada ou “pelada”: jogamos uma pelada quando jogamos só por nós mesmos sem considerar os sentimentos dos outros torcedores; jogamos uma “pelada” quando usamos o “outro” como se fosse uma coisa.
Acho que o conceito de profissionalismo está bem corrompido hoje em dia. Ser profissional é garantir a sua “boquinha”, os outros que se danem. Nós estamos profissionais DEMAIS. Comportamento de peladeiro e mentalidade de marketeiro. Esse é o NOSSO mundo? ahhhhhhhhhh!!!!
30 de julho às 11:01
Há muito tempo que acompanho os assuntos por aqui.
Só queria dizer, sem estagnação, que sempre me surpreendo em achar tudo muito bem dito!!!
6 de agosto às 19:49
Carlos, meu querido
É preciso acreditar na vida, na justiça, no mundo. Aliás o pensamento diferenciado destes conceitos ” das coisas do mundo”,pode contagiar a todos!!!
Qdo corrigimos nosso pensamento, acabamos corrigindo tb a nossa conduta, n devemos fazer parte da unânimidade pois nos levará não só a um senso comum , com a um ERRO comum tb!!!.
Todas as coisa relatadas são lamentáveis considerando o grau de evolução de tantas outras conquistas, cabe ao nos mesmos fazermos a diferencia neste mundo tão contrastante!!
Abrçs e desejando um inicio de agosto sob outra ótica!!
8 de agosto às 14:08
Como sempre gostei do texto do Maltz. Gostei mais ainda dos comentários dos leitores.
Sobre a copa (não gosto de futebol como esporte profissional; e menos ainda de comentaristas e profissionais de mesa redondas. Com ressalvas ao pessoal do rock-gol). Ainda bem que o Dunga perdeu a copa (sim o Dunga ) porque era dele o time, e não do Brasil. Como técnico ele devia prestar atenção ao pedido do povo. Se por zebra o Dunga, ganha-se a copa. Teríamos que agüentar mais um Zé – bom na TV.
Sobre o crime não me assustei. Neste momento o tal goleiro e seus gandulas devem estar recebendo milhares de cartas de mulheres que querem um relacionamento com eles. E depois a mídia vai fazer delas sub-celebridades… Ate o próximo desastre.
Espero que as previsões para 2012 estejam certas. Eu daria 2011 de desconto e acabaria logo com tudo este ano mesmo.
Feliz dia dos pais a todos. Cuide de seus filhos antes que a mídia cuide.
Abraços.
Reginaldo.
12 de agosto às 21:10
Dizendo ‘quase-tudo’, resta uma margem do lado bom da história e do exemplo queo os hermanos deixaram para que em 2014 o Brasil chegue a um nivel melhor não só em futebol mas também em todos os atos (e há muita vida, mas muita mesma, além do futebol…) que envolvem de certa forma uma copa do mundo, jogadores, apresentadores, matadores e todos os outros ‘dores’ possíveis nessa mesma variação.
Abraço a todos>>>
16 de agosto às 18:11
putaqueopariu!!
mal posso acreditar nas conclusões a que estou chegando depois da leitura desse texto!!
esse pegou de direita!!!
26 de agosto às 20:34
Ainda procuro a conexão com os Hermanos; volto quando achar…