COVER ( A LIBERDADE É CINZA-METÁLICA)
Quando escrevi a crônica da “Rivotrilândia”, não poderia imaginar que em tão pouco tempo o assunto estaria tão “up”, por causa da morte do Michael Jackson. Aliás, nem sabia que a Rivotrilândia ficava tão próxima da “nunca-lândia” (Neverland), a terra do nunca, onde nunca se cresce, e nunca se sofre. Que co-incidência! Mas, sinto desapontar os ansiosos por novidades escandalosas, não é esse, o meu assunto de hoje…
Chegando em casa, um dia desses, deparei com algo que me chamou a atenção: uma “Kombi”. Tenho um vizinho que gosta de esportes radicais, tipo “bike”, essas coisas, e ele comprou uma Kombi pra levar as suas tralhas para os locais onde pratica o seu esporte.
O Kombão está lindão. Verde e branco.Verde-limão e branco. Sim, bi-color, que nem aqueles sapatos do Fred Astaire e do Frank Sinatra. Verde e branco, sim.
Mas o mais incrível não era a Kombi em si, um veículo dos anos setenta do século passado. O que mais me impressionou foi o contraste entre ela, e os outros carros que estavam estacionados junto ao meio fio da calçada.
Vectras, Hondas-Fits, Accords, Kas, Fiestas, Eco-não–sei-o-quê, Pajeros, Caminhotes variadas, Palios, Siennas, Gols, Picassos, C3s, carrões importados que eu nem sei o nome… Enfim…Todos ali paradinhos e pasmem: todos iguais. Todos com a mesma dianteira. Os mesmos faróis, a mesma cara. Parecia que haviam saído todos da prancheta do mesmo designer. E o mais incrível: todos cinza – metálico.
Fiquei ali olhando a cena: a Kombi heroicamente defendendo a sua diferença no meio daqueles seres indiscriminados, aquela massa cinzenta disforme. Um baluarte da individualidade: uma Kombi! Um carro que na sua época, foi desenhado apenas para ser útil e nada mais. Um utilitário! E ali, naquele deserto de mesmice, era um monumento ao que é único, ao que tem personalidade, graça, ao que tem alma. Ao indivíduo.
Talvez você possa achar que eu estou exagerando, mas veja os carros da época da Kombi: Fusca, Corcel I, Chevette, Caravan, Dodge Dart, Galaxy… Se você não viveu esta época e não conhece esses dinossauros, procure na Internet. Você vai ver… Cada um deles é completamente diferente do outro. Cada um é uma individualidade. Um desenho com uma personalidade própria, um gosto diferente, um estilo. É interessante, hoje temos muito mais modelos, recursos tecnológicos e opções, mas muito menos variedade.
E as cores? Lembro bem e penso que jamais esquecerei as cores das duas “Variants” que meu o pai teve: amarelo-ôcre e azul-calcinha. Duas cores inimagináveis atualmente. Quem compraria um Citröen, um Peugeot, ou um chiquésimo Renault azul-calcinha? A Variant amarela veio na mesma época em que nos associamos ao Camping Club. Ela era da mesma cor da barraca que meu pai comprou: Variant cor-de-barraca. Você já viu um “Pallas”ou um”Megane” cor-de-barraca?
Por que tantas pessoas estão comprando carros da mesma cor, e mais ainda uma cor que é, na verdade, uma ausência de cor? Parodiando uma velha música dos “Secos & Molhados”: que fim levaram todas as cores?
É claro que alguém poderia argumentar que o cinza metálico é mais prático, mais barato para fazer reparos, que tem um valor maior de revenda no mercado, etc, etc. Penso que esses argumentos pragmático-econômicos fazem todo o sentido para pessoas que, com muito sacrifício e em muitas parcelas, compram os seus carrinhos de dez, quinze, vinte mil reais. Mas no caso de pessoas que têm cento e cinqüenta, duzentos mil reais para gastar numa coisa sobre rodas, o motivo será esse mesmo?
Li recentemente um trecho falando sobre a globalização, em um artigo sobre moda, numa revista de Psicologia que talvez tenha a ver com essa discussão (HERBERT, Wray in Mente & Cérebro, ano XVI, nº 197, pg. 23):
Se todo mundo acaba sabendo exatamente a mesma coisa, com poucas variações, passamos a habitar um universo de pessoas que pensam de forma muito similar – e esse grupo homogêneo acaba agindo como um único explorador, em vez de criar uma federação de idéias. O risco maior é que as pessoas se acostumem a se espremer no vagão das coisas bem conhecidas, mesmo quando essa situação não as leva muito adiante. Isso acontece na política, no jornalismo, em relação ao gosto musical e, sim, no âmbito da moda.
“O risco maior é que as pessoas se acostumem a se espremer no vagão das coisas bem conhecidas, mesmo que essa situação não as leve muito adiante.” – Ah, o que será mesmo que isso quer dizer? Veja este anúncio que eu li recentemente em um site de rock:
VOCALISTA PROCURA BANDA:
Procuro banda que queira fazer cover de rock nacional e internacional (pop). Só cover, nada de compor musicas próprias.
Cover, para quem não sabe, é musica que já existe, música alheia. O que levaria um garoto que resolve ser artista, cantor de rock, a querer cantar SÓ música dos outros, música pronta, música já conhecida?
Como já fui integrante de uma banda de rock, que foi grande nos anos 80 e 90, tenho sempre muito contato com os garotos, e eles me dizem que está cada vez mais difícil arrumar lugar para tocar, a não ser que se faça “cover”. – As pessoas não estão interessadas em ouvir música própria, eles dizem.
Não tenho nada contra o cover. Foi nos bares da vida tocando cover, que muita gente boa pôs o pé na profissão. Este não foi o meu caso, em minha banda a “fissura” sempre foi fazer música própria, aquela era uma época diferente. A juventude tinha sonhos diferentes… tinha sonhos… ainda… Hoje é diferente… O computador sonha por nós… mas… SÓ cover?
Legião, Paralamas, Titãs, Engenheiros, Lobão, Lulu, Barão… Cada um tinha um jeito diferente, próprio. Mesmo quem não era fã sabia quem era quem. E se fazia muito pouco cover. A gente mesmo, fez apenas dois, em dez anos de carreira e dez discos lançados. Nunca ouvi falar de show de banda cover naquela época.
O que a enxurrada de carros cinza-metálicos e bandas-cover está nos revelando?
O fenômeno não está aparecendo apenas nos carros e nas bandas de rock. Caminhe por um condomínio de luxo em São Paulo, Rio, Cuiabá, Curitiba, Salvador, Brasília, e você terá muita dificuldade de saber onde está. A mesma impressão dos carros: todas as casas, em lugares tão diferentes foram desenhadas pelo mesmo arquiteto? Será algum desses programas de computador, desses que mostram imediatamente em real-time-on-line, onde está a média da média do gosto médio, que está desenhando as casas?
As casas, os carros, as roupas, as músicas, os artistas, os rostos das mulheres, seus corpos, independente delas terem 16 ou 66 anos, os políticos, as políticas públicas, nossas relações sexuais, que agora são “performances sexuais”, nossas relações pessoais…
Aonde isto vai nos levar?
É interessante, há uma boa questão aqui para os nossos filósofos e psicólogos sociais, que eles certamente poderiam estar estudando, se não estivessem tão ocupados lendo dados e discutindo se determinadas metodologias são científicas ou não: por que, em uma época que dispomos de tanta liberdade (pelo menos em relação a outras épocas), usamos tão pouco a nossa liberdade?
Por que falamos tanto de liberdade, e usamos tão pouco a nossa liberdade?
O que essa palavra quer dizer hoje?
Será que nossa liberdade foi reduzida á libertinagem? Assim como o amor foi reduzido a sexo, e Deus está num pedaço de cérebro?
Como estarão as coisas daqui á dez anos?
Será que esses fatos têm alguma coisa a ver com a previsão da OMS (Organização Mundial de Saúde) de que em 2020, teremos 35% da população do planeta Terra sofrendo de depressão, e outros 35% escravizados por alguma forma severa de adição?
Estas são boas perguntas. Mas sei que poucos vão se interessar. Estarão todos ocupados com outras muito mais importantes: quantas pessoas foram ao funeral de Michael Jackson? Quantos discos ele vendeu? Quantas pessoas foram aos seus shows? Quanto dinheiro ganhou? Quanto pagou aos seus advogados? Seus maiores hits, escândalos…etc… enfim… Oh brave new world! Oh brave new world!





















6 de julho às 12:41
Mais uma vez, vc relatou tudo como realmente acontece!! Isso me fez lembrar de uma questão que é um tanto “engraçada”. Não tenho nada contra música sertaneja, mas foi uma pessoa começar a gostar e dizer que é legal, que esse “sertanóide” se tornou o estilo musical mais legal do mundo!! Eu não condeno quem gosta, mas muita gente está indo só na onda que “está na moda” “é chique”, tá, tudo bem! Eu como fã de carteirinha da Engenheiros do Hawaii, só acho que a verdadeira essência da música, do gosto musical está se perdendo…Assim como essa busca de felicidade em carros, ansiolíticos…”O caminho mais curto, produto que rende mais!”
Abraços!! E parabéns pela crônica!
6 de julho às 14:31
” Por que falamos tanto de liberdade, e usamos tão pouco a nossa liberdade?”
Eis a questão!
Adorei sua crônica!
6 de julho às 14:50
Maltz,
Parabéns pelo seu texto. É muito bom ler algo com o qual me identifico tanto. Sabe que sou criticada por querer um carro vermelho, rs…??? E sinto muita falta de uma liberdade com mais individualidade. Eu, que estou em um jornal, sempre vejo as mesmas notícias, mascaradas por novos títulos, e as velhas promessas de governo, nunca cumpridas. Não é pose, não é positivismo…. rs…
beijos paulitsas
Ellen
6 de julho às 16:10
Essa crônica me fez pensar, numa fala de Fausto de Goethe: “Toda Teoria é cinza, só é verde a árvore da vida com seus dourados frutos”.
É realmente triste, ver por essa ótica, que é um prisma da realidade, afinal é na diferença que somos iguais (Sei que Nando Reis, Humberto Gessinger cantam essa unificada diferença)…
Mas não podemos nos esquecer que ser diferente para sermos simplesmente diferentes não vale, somos farinha do mesmo saco.
6 de julho às 17:54
É maninho, papo sério!
Essa questão da depressão pra mim está bem ligada à massaficação da vida. Como se faloriza o cinza em meio a tanto cinza?
Chega um hora que ninguém se reconhece e se localiza, já que é tudo tão parecido… E ai vem a pergunta: Pra que mais um do mesmo?
6 de julho às 18:08
C.Maltz,
Incrível ler este texto agora. Estava conversando com uma colega sobre algo parecido. Resolvi “espairecer” lendo seu texto, aí levei um choque. Eu e a colega comentávamos o quanto estávmos nos sentido sufocadas com esta mesmice. Os jeitinhos no serviço público, as mesmas caras na corrupação do Senado e os namorados ou ex apresentando sempre os mesmo erros e desculpas idem até termos que deixá-los. A mesmice é uma doença e não me admira o percentual de pessoas que sofrerão com depressão. Só pode dar nisto. Não só os carros , mas as pessoas estão com alma cinza-metálico. A humanidada está cinza…
bjo, aguardo ansiosa te próximo artigo
6 de julho às 20:24
Quebra-cabeça sem fim esse da nossa civilização terrestre não?..rs.rs
Mas crônicas boas como essa ajudam um a dar um reset na visão, para que a nossa visão não fique focada em um único campo, e busque as conexões em outros campos….
..da rivotrilândia., da comu 1-manos, de outras comu, de alguns livros já podemos encaixar algumas peças….tempos modernos, laranja mecânica, condicionamentos, mundo novo…
nova ordem mundial….rs e por ai vai…!
Resolver o quebra-cabeça…nessa era “NEVER”…..sem querer ser pessimista..rs
…quem juntar 10 peças se de por satisfeito..rs
[]s
6 de julho às 23:54
Oi, Carlos… blz?
Li o artigo acima e achei muito legal.
Dias atrás li um artigo em um site que trata de um assunto parecido com o que vc acabou de trazer.
Pra lê-lo clique em http://hypescience.com/conformismo-pode-destruir-civilizacoes/ e leia… achei muito interessante e por isso decidir compartilhar.
Abraço.
7 de julho às 0:03
Calma gente isto é Globalização…Importação de cultura…fastfode-se ou rapidinhas..engordiht…e etc…é o pensar e agir coletivo…São as adaptações de um novo tempo…
“Ainda somos os mesmos e vivemos Como Os Nossos Pais… …É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem…” Profecias de Belchior?
O que me aflige são os dados da OMS. E, me pergunto: será que estarei incluso nos 70%contaminados? É sujeito! vixx…Oh! Minha Nossa Senhora…
Infelizmente a humanidade tem mais facilidade para aprender com a Dor…”Bendita seja a dor que oprime o sofredor, pois só ela nos ensina o valor que tem o AMOR..o valor que tem a VIDA…o valor que tem a PAZ… o valor da LIBERDADE..o valor da CRIAÇÃO…” Só não sei o nome de quem canta esta canção.
Escutei de um amigo ambientalista, Seu Antônio – Um senhorzin cabeludo e barbudo, vestido com uma bata e um chinelo do tipo franciscana. Numa palestra que tinha como tema central: Verdade, Simplicidade e Amor -, a humanidade está no cio…Fantástico! Não o conteúdo da frase, mas sua sacada.
Disse mais, enquanto a humanidade não se ver como parte da natureza ela continuará se destruindo. A partir do instante que ela se conscientizar ela só usará o necessário para sua sobrevivência. Nos elementos da natureza ele deu a sequência de como retornamos à natureza: primeiro perdemos o AR..fulll(o último fôlego); depois se apaga a Chama, o FOGO (o corpo esfria); depois perdemos a ÁGUA; depois o PÓ retorna a TERRA; e mais uma vez nos integramos a VIDA.
O Sistema já está em Colapso..
Minha esperança é que após a tempestade vem a bonança..faz parte do crescimento terrestre..
7 de julho às 9:57
Adorei o texto. Talvez tenha algo a ver com medo. Medo de conviver, de pagar mico, de se expor. Não deve ser a toa que as comunidades virtuais vêm se expedindo tanto. É mais seguro “conviver” por trás da tela do computador. Certamente, um efeito colateral da sociedade de aparências que vivemos hoje. Coloco abaixo um letra antiga minha que estava perdida pelo subsconsciente e que veio à tona com seu texto (ele deve ter uns 8 anos!):
CAMALEÃO
Tomo mundo a rigor porque hoje a festa é em traje fino
Amanhã vestem sandálias já que o point é na areia
Todo mundo segue a sina, aprende e ensina o mesmo hino
Todo mundo segue às cegas a regra em prol do anseia
Todo mundo segue à risca, ninguém arrisca mudar
Todos se moldam à moda e fingem querer se mostrar
Caminhos comuns a comunhar
Como um camaleão está
Camuflado em algum lugar
7 de julho às 13:43
Boa tarde a todo e ao ilustre Carlos Maltz,
Lí o texto e achei realmente muito interessante pois realmente tudo que se fala eo que se pensa são cópias de outros pensadores…acabou a individualidade o maneira de cada um pensar por sí e expor seus sentimentos.
hoje em dia como nas bandas novas de rocck, ninguem mas tem estilo próprio,como o Maltz falou no texto antigamente não precisava ser fã de uma banda pra saber quem estava tocando,só pelo timbre da guitarra e bateria ja se sabia se ra legião, paralmas, engenheiro ou etc…assim como nas bandas internacionais como pink floid eles não precisam cantar que so pelo som dos instrumento vc ja sabe que são eles.
Mas voltando pro foco da conversa hoje todos falm na morte de michael jakson,compram igresso pra ver uma pessoa morta e pagam bem U$ 10.000,00 pra ver um difunto. mas não querem nem saber de como vamos está daki as uns 10 anos nossa Terra nossa água.ninguem para pra pensar em Deus e ficam idolatrando pessoas e até mesmo mortas.
Valeu grande Carlos Maltz.
8 de julho às 2:04
Adorei o texto. Tô quase “copiando” ele e colocando no site. Parabéns! Beijos
8 de julho às 15:03
Muito legal Carlos!
Qdo vc evoca os filósofos é mto interessante, pois até estes, que surgem em um movimento de reflexão sobre as problemáticas da vida, encontram-se padronizados e compram o discurso da modernidade.
Antes as pessoas tinham uma preocupação imensa com o ser, com os valores morais e divinos.
Com o advento do capitalismo, tivemos uma supressão do ser pelo TER. Com isso, as virtudes perderam espaço para as riquezas materiais, o q assolou ainda mais a humanidade.
Hoje em dia, estamos vivendo o mundo do parecer, as pessoas não se preocupam mais em ser diferentes e singulares. E mesmo quando tentam sê-lo, sucumbem a algum tipo de padronização que tange a questão do ter, como no caso das cores dos carros q vc mencionou.
A valorização do parecer é brusca, todos querem parecer felizes e belos, sem contar com a tal da erudição, que é um acúmulo de informação teórica que não tange questões práticas. Parecem inteligentes, sendo que inteligencia verdadeira é saber aplicar aquilo que se sabe e não ficar apenas teatralizando, forjando a vida real ideal, com a mera aparencia da mesma.
Vc ja leu “A Sociedade do Espetáculo” do Guy Debord? Creio q gostaria muito, tem muitas reflexões sobre a sociedade contemporânea e suas questões intrínsecas. Penso q tais questões têem que ser tratadas por nós mesmos, frutos desse momento que passou por atrocidades ideológicas, tais como a geração Xuxa, que é um bom exemplo da sociedade do parecer, a qual milhares de mulheres pintam seus cabelos de amarelo para parecerem loiras e reproduzir o discurso do parecer ao inves de ser.
Grande beijo,
Samira
8 de julho às 22:36
Meus parabéns Manão, nessa crônica você toca em pontos cruciais. Sinceramente, fiquei emocionado ao ler, tamanha a sensibilidade do texto. Parabéns!!
“Oh brave new world! Oh brave new world!”…
9 de julho às 11:20
Se a Liberdade é cinza-metálica, suas crônicas são de um colorido tão fascinante que nós leitores nos perguntamos “ué, já acabou?! quando o Maltz vai postar outra crônica?!”
Quando o texto instiga o leitor, o cronista terá vida eterna. É isso o que acontecerá com o Maltz. Eu tenho certeza.
9 de julho às 13:22
muito relevantre o seu texto, instigante, provocador como tem que ser um texto bom, adorno (um dos criadores da escola de frankfurt)após a segunda guerra mundial já tinha alertado sobre o poder da indústria cultural na padrionização e robotização dos consumidores de arte…parabéns carlos maltz.
10 de julho às 1:49
Liberdade é uma mentira que as pessoas usam pra fazer de conta que sabem o que querem. Usam a liberdade para acreditar que escolheram algo porque queriam. Todo mundo quer alguém te dizendo o que fazer, afinal de contas se você fizer igual a todo mundo não precisa dar satisfação do porque errou, a culpa é dos outros.
10 de julho às 23:02
Liberdade é um conceito que está na mente de cada um, totalmente individual, e hoje se for para definir um conceito generalizado fico com o do Aldous Huxley “livre-arbítrio foi concedido aos seres humanos para que pudessem escolher entre a demência..por um lado, e a loucura, por outro!”
[]s
10 de julho às 23:02
A ilha não se curva..é uma forma de liberdade!
[]s
11 de julho às 11:08
Carlos
Você sabe por o dedo na ferida.
Já aquela época 1978 /1979 quando éramos crianças um amigo me disse os carros já começaram a ficar mais ou menos igual tipo: Corcel II com o Passat com o farol quadrado ou a Belina II com a Caravan. E as cores partiram para os tons metálicos.
Coitado daquele que comprasse um carro Amarelo ou Vermelho. Estaria condenado as piadas de mau gosto e a desvalorização do seu automovel. Como todos adoram falar de liberdade e criatividade nas não querem ser o primeiro a por a cara a tapa, vai seguido o modismo e conformismo idiota das massas. Preferindo ser mais um na multidão a correr o risco de expressar seu sentimentos ou criatividade. Pra que ser diferente? Em um mundo em que o que realmente vale não e o que tem na cabeça e sim o que tem na conta bancaria.
A elite que pode ousar sem perder dinheiro. Não o faz! Imagine a classe operária que já perde dinheiro só por existir.
O importante e o saldo disponível para saque. Emilio Surita
O prego que se destaca, e o que toma mais martelada. Ditado chinês
[]s
12 de julho às 19:56
poxa…fiquei um tempo sem aparecer, ocupado com outras coisas, e quando vejo, tem um montão de comentários…vocês escreveram coisas muito interessantes, infelizmente não sei se poderei responder a todos…vamos ver, vou comneçar…por favor não se ofendam se eu não responder a todos… não se trata de menosprezar ninguém…[]s C.Maltz.
12 de julho às 20:02
a pergunta da Andressa: por que mais um do mesmo…uai, quem foi que disse que tem que ser do mesmo…a massificação e a cinzificação, a coisificação, não é coisa de D’EU’S…isso é coiusa nossa maninha, coisa da humanidade… a covardia existencial que nos leva a não ousar e não sermos o que realmente somos é nossa…nós que nos acomodamos, nós que vendemos a nossa alma…N-Ó-S!!!!! poerque quizemos. Quem inventou a modernidade, e pior, a pós-modernidade? uai, nós mêss… e quem vai desinventar???? quem tiver coragem, maninha, eu tô aqui tentando fazer a minha parte…sendo eu, sem concessões…tem gente gostando dos meus textos? tem. mas também tem gente detestando…[]s C.Maltz.
12 de julho às 20:07
maninha Leona…sim…as pessoas estão com a alma cinza-metálica…e a depressão coletiva será a consequência natural do vazio existencial coletivo que nossa civilização está plantando…mas…o que mais me surpreende, é que tem gente que não vê isso… mas…maninha…o que é que qa gente faz? só ficar constatando e reclamando não é suficiente para mim…você, ou alguém que esteja lendo estas palavras tem alguma idéia de onde esteja a saída para esta situação tão desoladora? []s C.Maltz.
20 de julho às 0:21
Oi, Maltz!
Só hoje vi sua pergunta. Eu tenho uma idéia, sim. Ousadia, um oouco de bom senso, alteridade (conceito de bióetica, em resumo:se colocar umpouco no lugar do outro); verdade e compromisso e ação. Bem, esta é a minha idéia. Quem tiver outras creio que serão bem vinda.
Maltz, este espaço de discussão e reflexão é ótimo! Bjo.
23 de julho às 18:59
carlos não concordo com o seu ponto de vista, ainda mais quando se fala do âmbito musical , pois tocar cover é um estágio que determinados artistas teem que passar para aí sim póderem alcançar um estágio de criação definitivo, foi assim com o clube da esquina e o fascinio dos caras pelos beatles, rush era uma banda que fazia cover do led e tantos outros …portanto não concordo, acho que alguns pontos são pertinentes outros nem tanto… esse cara que mandou o anuncio querendo formar uma banda para tocar cover, pode ser um grande artista que só vai encontrar a sua arte depois absorver a matéria prima de outros artistas …a vida é por si só …ASSIM…
VALEU UM ABRAÇO
24 de julho às 10:28
Diego, acho que o texto não condena o tocar o cover, uma pq vc tem razão, para aprender tem que tocar mesmo o cover, seguindo o mesmo pensamento o designer de carro para aprender a desenhar, tem que desenhar outros carros…depois da fase de aprendizado ai que o bixo pega para os tempos atuais…pq?
Pq depois que aprendeu a técnica maioria se acostuma, o novo hoje é apenas um retoque da estrutura, o que é um desperdicio tendo conhecimento de como se faz a estrutura a gente se limita aos retoques, exemplo mais claro mesmo é na musica e nos carros.Um exemplo claro é olhar para F1 atual 90% dos carros tem o mesmo bico(alto e tosco)quem abaixou igual a Brawn fez a diferença.
Daqui uns anos as faculdades não vão ter mais preocupação em ensinar o essência da criação, vai ser faculdades de “maquiagens”.
[]s
24 de julho às 12:11
maninho.. se as faculdades ensinassem as pessoas a ler, pra mim já estava bom…se puderem ensinar os jovens a ler e entender o que estão lendo, prá mim já é luxo puro…sim, o sistema fez um serviço muito bem feito destruindo o sistema educacional que existia e substituindo-o por essa jaca que aí está hoje…eu conclui a faculdade recentemente,e estudei em uma faculdade particular…o que encontrei foi de dar dó…as pessoas não tem condições mais nem de entender o texto que estão lendo, o que dirá de criar alguma coisa nova…realmante é desoladora a situação em que nos encontramos…Huxley está cada vez mais confirmado pela realidade em que vivemos…estou passando alguns dias em São Paulo…formigueiro de gente…igual…com roupas iguais e pensamentos iguais…triste…um monte de robôs com fones enfiados nos ouvidos…ouvindo lixo padronizado…assistindo filmes imbecis padronizados…e lendo idiotices padronizadas…com suas religiões imbecis e seus extases padronizados… consumindo, consumindo consumindo…ehhh, oho, vida de gado, povo marcado, povo feliz…[]s C.Maltz.
25 de julho às 13:08
É engraçado que lendo o texto logo me encontrei e entendi.
Sempre lutei para não seguir a corrente, na adolescência eu era atéia, pois todos acreditavam em Deus e eu queria ser contra; já aos 20 e poucos eu participava do pessoal “Underground”, fazia faculdade de Moda, buscava a minha própria identidade mas na verdade seguia a identidade de um grupo.
Hoje em dia estou mais calma, não sou mais atéia, não participo mais do pessoal “Underground”…
Estes dias meu namorado trocou de carro e eu não estava querendo muito pois ele trocou o Corsa dele por um Santana, e eu táva achando o Santana um carro muito velho e difícil de vender… Lendo o texto, pensei na identidade da pessoa, que é bom lembrarmos da identidade da pessoa, ele gosta de carros grandes e mais antigo, este é uma parte mais dele, ainda bem.
Outra coisa que me chama muita a atenção ultimamente é como as pessoas estão perdendo até sua identidade física, eu tenho cabelo cacheado e percebo o quanto as pessoas te cobram para você alisar o cabelo, percebo também o quanto é difícil hoje em dia você encontrar uma mulher de cabelo cacheado, se não tem cabelo liso é loira. Faz um tempo que ando examinando isto. Mas ontem por tanta insistensia do meu namorado que me pede para eu fazer uma escova no cabelo, fui cortar o cabelo e aproveitei e pedi para a cabelereira fazer escova no meu cabelo, a mulher me falou que já faz muito tempo que não via um cabelo cacheado e fez a escova com dó do meu cabelo.
Bom, advinhem o que aconteceu… gostei do meu cabelo liso apenas por alguns segundos, saí com meu namorado e ele também acobou achando o meu cabelo cacheado mais bonito que liso. Hoje eu já molhei o cabelo para voltar os meus cachos. Enfim é melhor irmos por nós mesmo do que pelo os outros…
Se todos tem cabelos lisos, tenham eles…
É bom buscarmos nossa identidade, quem somos nós, não precisando ser do contra e nem cegos, apenas buscando quem somos nós…
É isto aí …
Sol para todos!
25 de julho às 23:23
carlos Washington e carlos maltz…eu penso um pouco diferente, eu acho que o mundo hoje está dividido entre os que já leram um livro e os que ainda não leram, os que leram teem um ponto de vista um pouco mais aguçado já os que não leram são mais manipulaveis, assim seguem mil e uma teorias acerca do que pode acontecer, do que está acontecendo com o mundo, eu ainda fico com o comentário do Daniel AGUIAR la emcima que citava BELCHIOR…”é você que ama o passado e não vê que o novo sempre vem”…acho também que o lance é o seguinte ,algumas pessoas são mais questionadoras e não aceitam as implicações impostas pelo sistema por assim dizer …é o caso da nossa amiga TATIANA SANTOS (relatado acima)..já outras pessoas vivem seguindo tendências e são felizes assim …portanto não acho tão alarmante essa questão, o que me assusta são os dados da OMS…e também não consigo enxergar coligação …como disse o próprio CARLOS na crônica:”SERÁ QUE TODOS ESSES FATOS TEM ALGUMA COISA A VER COM DADOS DA OMS?
SERÁ? SERÁ?
17 de setembro às 16:43
ao ler seu texto me lembrei muito da obra de maquiavel, o príncipe.. para maquiavel não havia meios que os fins não justificassem, nem códigos morais que não pudessem ser transgredidos, nem príncipes religiosos que reprimissem seus governantes… aliás, ao fazer distinção entre o que um homem era e o que de fato deveria ser, maquiavel simplesmente eliminou o “deveria ser” de seu inteligente e, claro, egoísta vocabulário. Mas o que quero dizer é que nós, eleitores, trabalhadores, batalhadores… todos nós, sem excessão, não somos tão inocentes da culpa assim. to enjoada de ver as pessoas criticando tudo… o leitor ou eleitor tem culpa, ja dizia gessinger… quem ocupa o trono tem culpa, quem oculta o crime também, quem duvida da vida tem culpa, quem evita a dúvida também tem..
17 de setembro às 16:44
pra continuar meu raciocício… hoje de manhã vi no notíciario produtores de leite belgas e franceses jogando fora milhões de litro de leite porque o governo “maquiávelico” não teve a descência de manter o preço, no mínino, para pagar a produção. Vivo em uma cidade q tem inúmeros pequenos produtores e sei exatamente como é viver em um país q age assim… mas acha q esses produtores (digo brasileiros) se uniram como na Bélgica para interromper por completo a venda para latícineos? não, claro, que não. porque nós, brasileiros, quase não temos senso crítico. aqui, a lei é a seguinte: “estou muito feliz que o meu vizinho esteja rico, desde que eu esteja milionário”. e outra, vVivemos em uma política feita para banqueiros, quanto antes soubermos disso, melhor. cabe à nós pelos menos, frisar isso aos nossos leitores…
16 de outubro às 16:11
Interessante: meu pai teve uma Brasília “Cinza-Metálica” e era algo RARO… o que aconteceu de 1983 pra cá???